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Oráculo

Em universal, sim. O planejamento de uma romance começa anos antes de ela ir ao ar. No primícias, os autores precisam entregar uma grande sinopse do desenvolvimento da trama. “Esse documento é muitíssimo detalhado, uma verdadeira dissertação”, explica Lígia Prezia Lemos, pesquisadora do Meio de Estudos de Telenovela da Escola e Comunicações e Artes (ECA) da USP.

O projeto passa pelos mais diversos departamentos da emissora uma vez que secção do planejamento: financeiro, cenografia, todo mundo recebe o material. Nesse resumão, o primícias, o meio e o termo da romance já precisam estar definidos – estabelecer o círculo principal é importante para trazer congruência à história e fidelizar o público. “Do contrário, as pessoas deixam de ver sentido na romance, e perdem o interesse por ela”, conta Lígia.

Mas é evidente: existe muito espaço para mudanças. As telenovelas brasileiras são obras abertas – ou seja, são muito maleáveis para se adaptarem ao público, às mudanças de elenco ou a outros tipos de interferência, uma vez que merchandisings.

Lígia cita uma vez que exemplo o vilão Félix, personagem vivido por Mateus Solano na romance Paixão à Vida, de 2013. “No primícias ele era muito malvado, mas as pessoas foram tão cativadas pelo carisma do personagem que ele acabou ganhando uma salvação”.

As novelas, portanto, são pensadas desde o início para permitir espaço para mudanças, mas a risca médio da trama nunca muda. “O calendário de folhetins da Orbe, por exemplo, já está montando 3, 5 anos para frente”. É uma indústria bilionária, com uma estrutura muito muito definida.

Pergunta de @mrlantnio, via Instagram

Fonte: Super Interessante