(Otávio Silveira/Mundo Estranho)

1) A COISA FICOU SÉRIA
O Instagram surgiu porquê um app para postar fotos amadoras, tiradas no calor do momento. Mas, ironicamente, o que mais petardo na rede social são fotos com qualidade profissional, tiradas com precisão rigidamente calculada. Aliás, tudo no Insta pode ser controlado ou manipulado para conseguir efeito supremo (e milhares de seguidores) com teor mínimo.

2) EXPERT NO QUE PRECISAR
A ME conversou com especialistas de teor do dedo e agenciamento de celebridades para conferir os principais truques. Para lucrar moeda com anúncios, por exemplo, muitas pessoas escolhem abordar temas em que enfrentarão pouca concorrência, mesmo que não saibam zero sobre ele. É mais fácil, por exemplo, bombar com tendência masculina do que com feminina.

3) COMENDO E CURTINDO
A primeira regra é saber quando e com que frequência postar. A recomendação são duas ou três fotos todo dia. Mais do que isso, só influenciadores consagrados. Muitos publicam entre as 12h e as 13h ou entre as 19h30 e as 20h30. As chances de like são maiores, porque as pessoas têm mais liberdade para checar o celular durante as refeições do que no horário de trabalho.

 (Otávio Silveira/Mundo Estranho)

4) ENSAIO PARCELADO
No Insta, não dá para saber quando a foto foi tirada. Influenciadores espertinhos sabem explorar essa brecha: aproveitam uma única oportunidade para fazer vários cliques, a serem publicados “em parcelas”. Por exemplo, hospedar-se em um hotel luxuoso por um dia, mas tirar fotos na piscina com vários maiôs e postá-las em datas distintas.

5) JOGO SUJO
Muitas marcas enviam roupas para perfis famosos e algumas até pagam (cumeeira) para lucrar uma foto elogiosa. O problema começa quando a marca acredita que pode aumentar o impacto dessa propaganda se disfarçá-la, enterrando a hashtag #publipost (post publicitário) no meio de outras. Mas o Insta anunciou que vai lançar uma função para avisar toda publicidade na plataforma.

 (Otávio Silveira/Mundo Estranho)

6) XAVECO AUTOMÁTICO
Você recebeu qualquer glosa genérico (“permitido”, “demais”, “amei”) de uma pessoa que não conhece? Talvez ela nem tenha visto sua foto. Ela pode ter contratado um tipo de bot que procura diariamente centenas de imagens a partir de hashtags específicas e posta elogios predefinidos. A gentileza tem um motivo: as estatísticas indicam que quem recebe um glosa tem mais chance de iniciar a seguir o comentarista.

7) INATINGÍVEL E MISTERIOSO(A)
Cheque as fotos dos maiores influenciadores de tendência ou estilo de vida. Todos estão sempre olhando para o pavimento, porquê se tivessem perdido um tanto. É uma regra antiga no jogo da conquista amorosa, agora usada na conquista de fãs: recusar o contato visual direto, olho no olho, torna a pessoa inacessível. E nossa mente está condicionada a desejar mais aquilo que lhe é recusado.

8) SELFIE? QUE SELFIE?
Sabe aquele papo de que “para fazer moeda, você tem que gastar moeda”? Para se profissionalizar, alguns perfis pagam por um experiência clicado por um fotógrafo gabaritado. Geralmente, vale a mesma lógica de fazer tudo em um único dia, mas com troca de cenários e roupas para dar a ilusão de que foram cliques “naturais”, feitos pelo próprio possuinte da conta, em dias variados.

9) OVERDOSE DE FILTRO
Se seu feed parece estar eternamente com um tom alaranjado e saturado, que diminui certas definições, existe um culpado: o hiperuso do filtro Mayfair. De negócio com o estudo da sucursal de marketing do dedo Track Mavens, esse é o filtro que mais atrai a atenção dos usuários. Ou por outra, também é muito eficiente para mostrar produtos em posts patrocinados.

10) DIGA-ME COM QUEM ANDAS…
A foto tem dois amigos brincando descontraidamente e, por coincidência, os dois são influenciadores com milhares de seguidores. Essa amizade pode ter outro nome: “colab”, gíria para “colaboração”. É usada entre estrelas do Insta quando tiram fotos em parceria – cada um apresenta o “camarada” para seu próprio público e ambos ganham novos seguidores.

11) #Textão #De #Tags
Hashtags são essenciais porque permitem que usuários encontrem posts durante uma procura. E aí tem a galera que abusa, com dezenas delas (em inglês e português!). Mas até elas podem ser definidas com precisão matemática: o app TagsForLikes, por exemplo, calcula quais as mais populares no dia. Há bots ainda mais sofisticados que também fazem esse serviço.

12) O vocabulário do pedinte virtual
Outro jeito de tentar bombar é trocar likes. Perfis de grandes celebridades, porquê o do desportista Neymar, viraram verdadeiros “mercados virtuais”, com comentários repletos de siglas que propõem os termos da “negociação”. Entenda:
SDV: abreviatura para “sigo de volta”. A pessoa se tornará seguidora de todo mundo que fizer o mesmo por ela.
ULT: se você curtir a última foto dele, ele curtirá a sua.
TL: curta qualquer foto do usuário e ele fará o mesmo por você.
TL1X5: variação na troca de likes. Para cada foto que você curtir, ele curtirá cinco suas. Há versões com outros valores.
RT: a pessoa retribuirá tudo que você fizer – incluindo comentários e curtidas.
ELOG: se você o elogiar no perfil, ele fará o mesmo por você.
O repórter da ME testou esse “escambo” para ver se funciona. Cada vez que você posta um “SDV” no Instagram do Neymar, ganha, em média, três novos seguidores. Mas a maioria deixa de seguir no mesmo dia. A troca de likes é instantânea, mas a de elogios nunca deu perceptível. Será que fomos tímidos demais na nossa rasgação de seda?

FONTES Sites Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, VEJA, The Guardian, El País, The New York Times, The Daily Mirror, The Telegraph, Track Mavens, O Orbe, EXAME, Brainstorm 9, Meio e Mensagem, Olhar Do dedo, Bloomerang e Buzzfeed News Brasil

CONSULTORIA André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Roble, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP