SEU AMIGO VIRTUAL É UM ROBÔ
Para que esperar seu totalidade de seguidores crescer naturalmente se você pode contratar um software para criá-los artificialmente? “Esses programas são chamados de bots, e executam tarefas online mais rápido que os humanos”, explica André de Roble, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação da USP. Basta dar o comando uma vez (uma vez que fabricar contas para te seguir no Twitter) e deixá-lo trabalhando sozinho.

LIKE EM CATIVEIRO
Bots não são novidade – e as principais redes sociais têm sistemas para tentar detectá-los e eliminá-los. Mas os trambiqueiros deram um jeito de fabricar alguma coisa mais “artesanal”. O jornal inglês Daily Mirror localizou, na China, uma “quinta de cliques” com mais de 10 milénio smartphones operados remotamente para curtir páginas e seguir contas de quem pagasse por isso. Em Bangladesh, havia outra ainda mais cruel: pessoas de verdade passavam o dia curtindo posts e seguindo contas por míseros US$ 120 ao ano.

QUER PAGAR QUANTO?
Usando um e-mail falso, a ME conversou com algumas empresas especializadas em vender likes. O preço médio de 500 curtidas no Facebook é de R$ 170. Para YouTube, é mais barato: R$ 3 a cada milénio visualizações. Nenhum dos prestadores do serviço admite o uso de bots. Existem pacotes mais baratos, os “internacionais” – com seguidores que não necessariamente falam a sua língua. (Aliás, recentemente, um shopping russo implantou uma máquina de venda de seguidores, aos moldes das máquinas de refrigerantes).

MILITÂNCIA AUTOMATIZADA
Os bots também costumam ser utilizados para tentar vencer, “no grito”, o fla-flu que virou a política brasileira nas redes sociais. Em 2013, VEJA denunciou que figuras uma vez que Aécio Neves, Renan Calheiros e Agnelo Queiroz tinham uma rede de fãs que só existiam online. Eram bots que intercalavam posts sobre assuntos variados e mensagens de esteio a eles. Nas eleições presidenciais de 2014, além de Aécio, foi a vez de Dilma Rousseff ser flagrada pela BBC Brasil realizando o mesmo truque.

VIU UM, VIEW OUTRO
Não acredite em tudo que vê – literalmente. O meio do YouTube Moca com Cinema colecionava centenas de milhares de views e várias vezes ficava no ranking dos mais assistidos do dia. Mas usuários estranharam que esses vídeos tinham pouquíssimos comentários e compartilhamentos, alguma coisa esperado de qualquer hit na internet. A fraude foi invenção: os vídeos ficavam escondidos em sites de streaming de anime. Toda vez que alguém clicava para observar a um incidente de Naruto, por exemplo, dava play nos vídeos do Moca com Cinema e nem desconfiava.

 (Otávio Silveira/Mundo Estranho)

A REGRA NÃO É CLARA

Uma vez que esperar que usuários se comportem se as próprias redes sociais são ótimas em manipular dados?

A CARTILHA SECRETA DO FACEBOOK
Recentemente, o jornal The Guardian revelou um documento restrito para funcionários do Face com diretrizes sobre o que é ou não permitido nas postagens. Muitas das regras (desconhecidas do grande público) causaram polêmicas. Por exemplo: em certos casos, podem até ser permitidas fotos de bullying, de agravo de crianças ou de animais, e vídeos de morte violenta ou mesmo automutilação. Vídeos de monstro são aceitáveis – desde que não haja nudez. Aliás, projetos artísticos de nudez só são aceitos se foram feitos à mão, e não digitais. Em 2016, o Facebook também foi réu de “inflar” em até 80% suas estatísticas sobre vídeos. A empresa declarou que era um “erro” do sistema, já consertado.

A MAÇONARIA DO TINDER
Na vida real, quem está fora de uma balada milionária não consegue saber ou paquerar alguém lá dentro. Uma das promessas do Tinder era nivelar esse jogo – finalmente, no app, todo mundo tem chegada a todo mundo, correto? Inexacto. Uma parcela dos usuários está restrita. Eles foram selecionados pela curadoria do próprio aplicativo para participar do Tinder Select (também publicado uma vez que Tinder Black). Só os mais ricos, famosos ou bonitos recebem o invitação.

O ANABOLIZANTE DO SNAP
O Snapchat inflava seu número de usuários artificialmente para impulsionar ainda mais o seu valor de mercado. A delação foi feita por Anthony Pompliano, ex-funcionário responsável pelo time de desenvolvimento do aplicativo. Ele move um processo judicial contra a empresa, alegando que foi exonerado por ter se recusado a dar perpetuidade ao projecto. A Snap emitiu um transmitido dizendo que o teor do processo é unicamente obra de um ex-funcionário insatisfeito.

FONTES Sites Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, VEJA, The Guardian, El País, The New York Times, The Daily Mirror, The Telegraph, Track Mavens, O Orbe, EXAME, Brainstorm 9, Meio e Mensagem, Olhar Do dedo, Bloomerang e Buzzfeed News Brasil

CONSULTORIA André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Roble, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP