Eles eram populares, levavam uma vida incrível e viviam sorrindo… só quando a câmera estava ligada

 (Otavio Silveira/Mundo Estranho)

Clique-drinque
A parisiense Louise Delage, de 25 anos, tornou-se uma das influenciadoras mais descoladas da França. Suas fotos na praia e em festas causavam inveja, mas ninguém notou que, em todas as 150 publicações, ela estava com uma bebida nas mãos. Em setembro, a pequena fez um último post: revelou que seu nome não era “Louise” e que a conta era uma mediação da escritório de publicidade BETC para a campanha “Curta meu vício”, que procura conscientizar a população sobre o alcoolismo entre jovens.

A arte da trollagem
Amalia Ulman foi outro exemplo de vida luxuosa que só existia no reino imaginário do Instagram. Desta vez, os vários posts com hotéis cinco estrelas, vestidos de alta-costura, joias, comida gourmet e viagens não eram um experimento científico, e sim uma performance virtual dessa artista argentina radicada nos EUA. Intitulada Excelências e Perfeições, a teoria foi elogiada pelo jornal The Telegraph uma vez que “uma das mais originais e excelentes obras de arte em circulação da era do dedo”.

O milionário fabricado
Com um insta repleto de carros luxuosos, comida boa e viagens, Boris Bork rapidamente se tornou famoso na Rússia e no mundo. Milhares de pessoas o admiravam e marcas até propuseram anúncios. Mas tudo não passava de um experimento do consultor de marketing (pobretão) Roman Zaripov. “Me surpreendi uma vez que, gastando só US$ 800 [cerca de R$ 2,5 mil] em dois meses, pude fazer com que dezenas de milhares de adultos acreditassem em uma pessoa que não existe”, afirmou.

Fórmula pronta
Quando um expert em mídias sociais contou ao jornalista Max Chafkin que poderia transformar qualquer pessoa em “webcelebridade”, Chafkin pagou para ver. As regras propostas pelo entrevistado incluíam desvendar um nicho pouco concorrido (no caso, tendência), pegar roupas emprestadas, fazer fotos profissionais todas no mesmo dia e publicá-las aos poucos. Também valia usar bots ou até fotos de comidas feitas por uma fotógrafa contratada. Deu evidente: Chafkin chegou a 1,4 milénio seguidores em um mês.

A novidade Clarice Lispector
“Você veio cá para fazer alguma coisa. Descubra o que é e faça.” Com tuítes assim, Santiago Swallon angariou milhares de seguidores dispostos a viralizá-lo. E não era por menos: seu perfil dizia que ele era orador do TED, um prestigioso serviço de palestras. Sua página na Wikipedia também era impressionante. Mas, evidente, ele não existia: havia sido criado pelo engenheiro do MIT Kevin Ashton. Ele comprou seguidores, forjou um selo de verificado, tuitou coisas aleatórias e esperou a mágica suceder.

“Eu não aguento mais!”
A australiana Essena O’Neill, 19 anos, conquistou o sonho de muita gente: dezenas de milhares de seguidores que babavam em cada pormenor de sua vida. Até o dia em que a pressão de manter aquela imagem perfeita foi demais. Para se libertar, trocou a legenda de várias fotos para revelar os sórdidos bastidores. Por exemplo: posts em que praticava ioga de manhã, em pura serenidade, na verdade, haviam sido clicados à tarde, com muito estresse até encontrar a pose ideal.

FONTES Sites Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, VEJA, The Guardian, El País, The New York Times, The Daily Mirror, The Telegraph, Track Mavens, O Orbe, EXAME, Brainstorm 9, Meio e Mensagem, Olhar Do dedo, Bloomerang e Buzzfeed News Brasil