A NASA selecionou quatro projetos de pesquisa para o Programa Discovery, que desde 1992 financia programas de baixo custo para a exploração do Sistema Solar. As novas propostas receberão um apoio inicial de US$ 3 milhões para desenvolver e amadurecer seus conceitos. Os selecionados ainda não são missões oficiais, e alguns podem não ser escolhidos nas próximas etapas do processo seletivo.

Para se candidatar, os projetos devem obedecer alguns parâmetros. Por exemplo, a missão proposta deve ser desenvolvida em menos de 36 meses, o custo do desenvolvimento do projeto precisa ser de até US$ 190 milhões e o custo total da missão deve ser inferior a US$ 299 milhões. Embora limitado, o Programa Discovery já lançou missões que trouxeram resultados incríveis, como a missão Kepler, que permitiu a descoberta de uma série de planetas fora do Sistema Solar.

Através do Programa Discovery, a NASA permite que cientistas e engenheiros montem suas próprias equipes para projetar missões de valor científico em alvos que não são atualmente contemplados pelas missões ativas ou seleções recentes da NASA. As seleções finais serão feitas no próximo ano. Por enquanto, estas são as propostas que avançaram para a fase de desenvolvimento:

DAVINCI+

Maat Mons, vulcão inativo mais alto do planeta Vênus (Foto: NASA)

O DAVINCI+ (sigla para Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble gases, Chemistry, and Imaging Plus) propõe analisar a atmosfera de Vênus para entender como ela se formou e evoluiu, além de determinar se o planeta Vênus já teve um oceano. A missão deverá mergulhar na atmosfera de lá para medir com precisão sua composição, do topo até a superfície. Os instrumentos da sonda serão encapsulados dentro de uma esfera criada especificamente para protegê-los do ambiente venusiano que é bastante hostil.

Para as imagens, o equipamento inclui câmeras nessa esfera protetora, que descerá na atmosfera do planeta, e também no orbitador, que ficará ao redor de Vênus. As câmeras serão projetadas para mapear o tipo de rocha existente na superfície venusiana. Os resultados dessa missão têm o potencial de reformular nossa compreensão sobre formação de planetas terrestres em nosso Sistema Solar e além, disse a NASA.

IVO

Esta missão tem como objetivo explorar Io, a lua vulcânica de Júpiter, para aprender como as forças das marés moldam os corpos planetários. Io é aquecido pela constante pressão da gravidade de Júpiter e é o corpo mais vulcanicamente ativo do sistema solar. Pouco se sabe sobre as características específicas dessa lua.

Usando equipamentos para sobrevoar o corpo celeste, a IVO (sigla para Io Volcano Observer) avaliaria como o magma é gerado e como os vulcões entram em erupção por lá. De acordo com a NASA, os resultados da missão podem “revolucionar nossa compreensão sobre a formação e evolução de corpos rochosos e terrestres, bem como mundos oceânicos gelados em nosso Sistema Solar e planetas extra-solares em todo o universo”.

TRIDENT

Tritão é uma lua geologicamente ativa, o que possibilitou uma superfície complexa e recente.

Essa é uma proposta para explorar Tritão, uma lua gelada e altamente ativa de Netuno, para entender a formação de mundos habitáveis a enormes distâncias do Sol. A missão Voyager 2 da NASA mostrou que Tritão tem renovação ativa, o que faz com que ele tenha a segunda superfície mais jovem do Sistema Solar, com potencial para erupção de plumas e atmosfera.

Além disso, Tritão tem uma ionosfera que pode criar neve orgânica e potencialmente um oceano interior. Tudo isso faz deste satélite natural distante um alvo muito interessante para a exploração, a fim de entender como mundos habitáveis podem se desenvolver em nosso Sistema Solar e ao redor de outras estrelas.

VERITAS

Essa missão propõe mapear a superfície de Vênus para determinar a história geológica do planeta e entenderia por que ele se desenvolveu de maneira tão diferente da Terra. Orbitando o planeta com um radar de abertura sintética, a missão vai traçar as elevações da superfície em quase toda a superfície venusiana para recriar a topografia tridimensionalmente e confirmar se processos geológicos – como placas tectônicas e vulcanismo – ainda estão ativos em Vênus.

A VERITAS também rastrearia emissões de infravermelho da superfície para mapear a geologia de Vênus, que é amplamente desconhecida.

Todas essas missões “têm o potencial de transformar nossa compreensão de alguns dos mundos mais ativos e complexos do Sistema Solar”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões Científicas da NASA. “Explorar qualquer um desses corpos celestes ajudará a desvendar os segredos de como ele e outros como eles chegaram ao cosmos”.

Fonte: NASA