A Noruega anunciou nesta quinta-feira que, assim como a Alemanha, também bloqueará suas contribuições para o combate ao desmatamento da Amazônia, uma verba de mais de 133 milhões de reais destinada ao Fundo Amazônia. A decisão acontece um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar a jornalistas que a chanceler alemã, Angela Merkel, deveria usar o dinheiro bloqueado pelos alemães para reflorestar o próprio país.

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Em entrevista publicada no jornal norueguês Dagens Naeringsliv, o ministro do Clima e do Meio Ambiente norueguês, Ola Elvestuen, afirmou que o Brasil quebrou o acordo firmado com a Noruega e Alemanha. Os dois países respondem por quase todo o dinheiro do fundo que é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sendo a Noruega o principal doador desde a criação do pacto com o Brasil, em 2008.

“O Brasil quebrou o acordo com a Noruega e a Alemanha desde que suspendeu a diretoria e o comitê técnico do Fundo para a Amazônia”, afirmou o ministro norueguês. “Eles não poderiam ter feito isso sem que a Noruega e a Alemanha concordassem”, prosseguiu.”O que o Brasil fez mostra que eles não querem mais parar o desmatamento.”

A Alemanha foi a primeira a suspender as contribuições ao fundo. Em 10 de agosto, os alemães anunciaram o congelamento de 155 milhões de reais para proteção ambiental no Brasil. “Apoiamos a região amazônica para que haja muito menos desmatamento. Se o presidente não quer isso no momento, então precisamos conversar. Eu não posso simplesmente ficar dando dinheiro enquanto continuam desmatando”, afirmou na ocasião a ministra alemã do Meio Ambiente, Svenja Schulze, à Deutsche Welle.

Bolsonaro tem rebatido a decisão da Alemanha e acusa o país de querer “comprar a prestações a Amazônia”. “Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu 80 milhões de dólares para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”, afirmou o mandatário brasileiro nesta quarta. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defende a reestruturação do Fundo Amazônia.

A decisão da Noruega impõe um novo mal-estar ao presidente ultradireitista brasileiro em relação a suas políticas de combate ao desmatamento. Dados do início de agosto mostram que nos últimos doze meses (até 31 de julho), a Amazônia perdeu 5.879 quilômetros quadrados, 40% a mais do que um ano antes. O presidente negou os dados e gerou uma crise com sua própria equipe de Governo, que culminou na saída de Ricardo Galvão, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão responsável pelas medições.

Fonte: EL PAÍS – Edição do Brasil

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